No dia 23 de abril, a ANAI realizou a primeira edição da iniciativa ANAI à Conversa, um novo formato de encontros criado com o objetivo de promover a proximidade entre profissionais, incentivar a partilha de experiências e estimular a reflexão sobre os principais desafios do setor da avaliação imobiliária. Esta edição inaugural decorreu em formato piloto, nas instalações da ANAI, reunindo um grupo restrito de participantes num ambiente informal, próximo e genuinamente participativo. O modelo adotado privilegiou a conversa aberta entre pares, permitindo a troca de perspetivas e experiências sobre temas atuais com impacto direto na atividade profissional.

O tema escolhido para esta primeira sessão foi particularmente relevante e oportuno: o papel da Inteligência Artificial e dos AVMs na avaliação imobiliária: oportunidade ou ameaça? A escolha desta temática refletiu a crescente presença da tecnologia no setor imobiliário e financeiro, bem como o impacto que ferramentas baseadas em dados e automatização poderão vir a ter no trabalho dos peritos avaliadores.

Os AVMs (Automated Valuation Models) são modelos automatizados de avaliação que recorrem a bases de dados, estatística avançada e, cada vez mais, inteligência artificial, para estimar o valor provável de um imóvel. Estas ferramentas já têm aplicação em diversos mercados internacionais, sendo utilizadas por entidades financeiras, plataformas tecnológicas e investidores, sobretudo em processos de análise massificada, monitorização de carteiras e estimativas preliminares de valor.

Ao longo da conversa, foram abordadas diferentes visões sobre o impacto destas tecnologias na atividade de avaliação imobiliária. Entre os potenciais benefícios identificados, destacou-se a capacidade da IA e dos AVMs para acelerar processos de recolha e tratamento de informação, apoiar a análise de mercado, aumentar eficiência operacional, libertar tempo para tarefas técnicas de maior valor acrescentado e melhorar a monitorização de tendências e indicadores de mercado. Nesta perspectiva, a tecnologia poderá funcionar como uma ferramenta complementar ao trabalho do perito, reforçando a sua capacidade analítica.

Foram igualmente discutidos alguns desafios e reservas associados à utilização destes modelos, nomeadamente a dependência da qualidade e atualidade dos dados disponíveis, a dificuldade em captar especificidades de ativos singulares, a menor sensibilidade a fatores locais e qualitativos, o risco de excesso de confiança em resultados automatizados e a necessidade de garantir transparência metodológica. A avaliação imobiliária continua, em muitos casos, a exigir análise crítica, conhecimento de mercado e interpretação técnica que dificilmente se resumem a uma estimativa automática.

Um dos pontos mais consensuais da sessão foi a ideia de que o futuro da profissão não deverá ser marcado por uma substituição direta entre tecnologia e avaliador, mas antes por uma evolução do perfil profissional. O perito avaliador tenderá a assumir um papel cada vez mais especializado, centrado na validação crítica de informação, interpretação de contextos complexos, avaliação de ativos não padronizados, responsabilidade técnica e independência profissional, bem como na utilização inteligente de novas ferramentas tecnológicas. Neste contexto, a adaptação e a formação contínua assumem particular relevância.

A primeira edição do ANAI à Conversa confirmou a importância de criar espaços de diálogo aberto entre profissionais, onde seja possível debater tendências emergentes, antecipar desafios e partilhar conhecimento de forma próxima e colaborativa. O feedback recolhido junto dos participantes foi bastante positivo, reforçando o interesse em dar continuidade a esta iniciativa com novos temas e novos momentos de encontro ao longo do ano. A ANAI continuará, assim, empenhada em promover iniciativas que valorizem a profissão, estimulem a reflexão estratégica e acompanhem a evolução do setor da avaliação imobiliária.